Engrossou o caldo do
movimento "Veta, Dilma".
Dez ex-ministros do Meio Ambiente assinam artigo contra o novo Código
Florestal. Leia:
APELO PÚBLICO DOS EX-MINISTROS PELO VETO INTEGRAL DO CÓDIGO FLORESTAL
"Pedimos à presidente
Dilma o veto integral dos retrocessos contidos no projeto de lei aprovado pela
Câmara, que reduz a proteção às florestas", escrevem os ex-ministros
brasileiros do Meio Ambiente, em apelo publicado no jornal Folha de S. Paulo,
22-05-2012. Eis o apelo:
Nós, do Fórum dos
Ex-Ministros do Meio Ambiente do Brasil, dirigimos um apelo público à
presidente da República a respeito do projeto de lei 1976/99, aprovado pela
Câmara dos Deputados com alterações ao Código Florestal. Reconhecemos e
destacamos o compromisso da presidente Dilma, assumido ainda quando ela era
candidata e reafirmado reiteradas vezes nos últimos meses (inclusive durante
uma audiência com os representantes do Fórum de Ex-Ministros do Meio Ambiente
em maio de 2011), de vetar qualquer alteração na legislação brasileira que
represente um aumento de desmatamento ou a anistia daqueles que desmataram
ilegalmente.
Nós observamos também que
esse compromisso, que é amplamente apoiado pela opinião pública brasileira,
reflete os interesses maiores da nação, dos quais a presidente é a fiel
depositária. O Comitê Nacional em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento
Sustentável e diferentes setores da academia, da sociedade civil e do setor
produtivo têm demonstrado enorme preocupação com as consequências da sanção do
projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados. Todos pedem o veto integral
dos retrocessos contidos no texto. Eles reduzem drasticamente o status de
proteção das florestas no Brasil, bem como a governança socioambiental
construída nas últimas décadas. Mais de 2 milhões de pessoas se manifestaram
através de abaixo-assinado nesse sentido. Em nome do fórum de ex-ministros,
solicitamos que a presidente, em coerência com o seu compromisso e com os
anseios da sociedade, vete integralmente toda e qualquer norma de caráter
permanente ou transitório que:
- Sinalize ao país a
possibilidade presente e futura de anistia;
- Permita a impunidade em
relação ao desmatamento;
- Descaracterize a
definição de florestas, que está consagrada na legislação vigente;
- Reduza direta ou
indiretamente a proteção do capital natural associado às florestas;
- Fragilize os serviços
prestados por elas;
- Dificulte, esvazie ou
desestimule mecanismos para a restauração;
- Ou, ainda, fragilize a
governança socioambiental.
Ao mesmo tempo, nós
entendemos que continua necessário construir um quadro de referência normativo
estratégico, alinhado com os desafios contemporâneos, de modo a valorizar o
conjunto de nossas florestas. Para tanto, a partir da experiência acumulada no
serviço público ao longo de tantos anos, assim como da diversidade de seus
membros, o fórum se coloca à disposição para apoiar, da forma que for julgada
mais oportuna, a elaboração e tramitação no Legislativo de uma proposta que
vise uma política florestal sustentável -e que, portanto, valorize as funções
de conservação, de recuperação e de uso econômico do capital natural associado
às nossas florestas. Os autores são os membros do Fórum de Ex-Ministros de Meio
Ambiente do Brasil:
CARLOS MINC, 60, ministro
entre 2008 e 2010 (governo Lula)
MARINA SILVA, 54, ministra entre 2003 e 2008 (Lula)
JOSÉ CARLOS CARVALHO, 59, ministro em 2002 (FHC)
JOSÉ SARNEY FILHO, 54, ministro de 1999 a 2002 (FHC)
GUSTAVO KRAUSE, 65, ministro de 1995 a 1998 (FHC)
HENRIQUE BRANDÃO CAVALCANTI, 83, ministro em 1994 (governo Itamar Franco)
RUBENS RICUPERO, 75, ministro entre 1993 e 1994 (governo Itamar)
FERNANDO COUTINHO JORGE, 72, ministro entre 1992 e 1993 (governo Itamar)
JOSÉ GOLDEMBERG, 83, secretário do Meio Ambiente em 1992 (governo Collor)
PAULO NOGUEIRA NETO, 90, foi secretário especial do Meio Ambiente entre 1973 e 1985 (governos Médici, Geisel e Figueiredo)
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