Educação

EDUCAÇÃO, CULTURA & VERÃO


Mudanças, mesmo as mais simples, sempre afetam o nosso humor e nos deixam, no mínimo, preocupados. Eu, particularmente, me preocupo quando vejo mudanças apenas na aparência. Simples maquiagem! Pracinhas sem banheiros, Ciclovias sem bicicletas. Nunca ficou tão atual a historinha do médico e do professor que viajaram no tempo para o passado. O primeiro, incrédulo, vê tudo diferente e não consegue sequer entrar nas salas cirúrgicas. O segundo continua a lição de onde havia parado lá no futuro. Outro dia, um post no “Debatendo a Política Saltense” deixou até secretário de governo preocupado. Pelo menos recebi um e-mail demonstrando isso. O que vemos é um sistema que constantemente troca os adereços mas não toca na questão principal: a relação da Educação com Cultura.

Fala-se muito em avaliações e até entendo que elas são necessárias, mas a idéia básica que está por trás desse sistema de avaliação sóciométrica, se baseando em números, em testes de saída, é a de um sistema que está preocupado em nivelar por baixo. Outro dia, uma secretária da Educação de um estado do sul do Brasil dizia que somente através desses testes é que poderíamos comparar um aluno do Paraná, por exemplo, com outro de Pernambuco. Posso até concordar, mas a questão fundamental é outra completamente diferente. Qual o verdadeiro intuito de comparar um aluno do Paraná com outro de Pernambuco? Porque essa mania de comparação ou de ranking? Essa é uma das questões que ainda não consegui entender no sistema educacional brasileiro.

O mundo cultural de Pernambuco é um o do Paraná outro. Não há nenhuma necessidade de comparar de um aluno com o outro. São tradições culturais diferentes. O que deve ser avaliado é a qualidade de ensino do Paraná com a de Pernambuco. Estabelecer um patamar de qualidade para cada uma das escolas auditadas e seus alunos, de tal forma a verificar se eles, de fato, estão inseridos em seus contextos locais. E, vou ainda mais longe, se esses alunos podem diferentemente interferir nos processos culturais locais dos quais fazem parte. Estabelecer uma ligação mais forte com a Cultura local não é e nunca será negar a existência de outras culturas. Ao contrário, é interagir com elas num relacionamento em igualdade de condições e não apenas como meros consumidores despreparados por algo imposto, pela televisão ou que vem de fora.

Hoje, com a globalização, passamos a falar com igualdade para tudo e sempre no singular. Essa massificação está mais para sinônimo de americanização do que qualquer outra coisa. Precisamos pensar em globalização, mas no plural. Globalizações. Isso não pode significar aderir a modismos locais sem entender o quanto eles, apesar de localizados, podem fazem parte de uma lógica maior. Sei que a Educação não pode e nem deve ter a responsabilidade de resolver tudo, mas, escolas mais inseridas, produzindo Cultura e Conhecimento, deve efetivamente contribuir para uma possível mudança nesse contexto. As novas ferramentas de comunicação vão certamente facilitar isso. O verão está chegando. Nenhuma terra é tão rica quanto o Brasil nesse período em que o sol nos castiga e estimula nossa criatividade. A escola precisa recuperar e fazer esse verão, não com formalidades, mas como espaço de uma educação que ultrapasse seus próprios muros. Precisa superar essa mania de enquadrar. Precisa implantar uma outra ótica para formar um cidadão mais rebelde e mais criativo. Com isso, investir num cidadão mais humano e mais feliz.

Um comentário:

  1. Somos professoras do Estado do Rio Grande do Sul. Gostaríamos de saber se poderíamos aderir a algum programa para aquisição de computadores postáteis para professor.
    Favor fazer contato conosco. Susana su.londero@gmail.com e mara obrigada

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